A chegada da estrada de ferro

A chegada da estrada de ferro

A migração conhecida como a “marcha para o oeste”, incentivada pelo movimento cafeicultor paulista, trouxe paulistas e mineiros para o norte do Paraná em busca das novas oportunidades oferecidas pela famosa “terra roxa”. Ao chegarem, iniciaram a abertura de trilhas e o desmatamento para obtenção de madeira, criação de animais e, claro, a lavoura. Nos primeiros meses de ocupação, o pioneiro Paiva, seus seguidores e apoiadores – Lucas Santos de Camargo, H. Pereira, Joaquim Luciano, Joaquim Ferreira de Carvalho, João Marques da Silveira, José da Rocha Fiúza e suas famílias – contavam apenas com suas trilhas e passagens precárias para se comunicar com o restante do Paraná. Esse isolamento geográfico provocou uma mudança no estilo de vida dos assentadores e resultou na caracterização da agropecuária local com a chamada “safra de porcos”.

Antes da chegada da estrada de ferro, havia uma necessidade urgente de encontrar uma forma de transportar a mercadoria até o comprador. O sistema conhecido como “safra de porcos” funcionava da seguinte maneira: quando os animais atingiam o peso ideal, um tropeiro especializado conduzia centenas de porcos em longas jornadas a pé. O destino eram os mercados e frigoríficos do estado de São Paulo, como o da cidade de Fartura, e, posteriormente, centros de processamento mais próximos, como o frigorífico Matarazzo em Jaguariaíva. Havia, entretanto, um problema inevitável: esse sistema fazia com que os animais perdessem muito peso durante as jornadas, reduzindo o valor de cada porco. A ineficiência gerou uma enorme pressão econômica e aumentou o desejo coletivo por uma solução mais moderna.

A conexão com Ourinhos, localizada no estado de São Paulo, por exemplo, abriria diversas portas para a exportação do “ouro verde”, com acesso direto ao porto de Santos, um dos principais do Brasil. Já a via Jaguariaíva teria a função de conectar o território ao restante do Estado, incluindo a capital Curitiba e o importante Porto de Paranaguá. Essa ligação estratégica possibilitaria a criação de uma rota de exportação alternativa, facilitando o acesso ao mercado consumidor do sul. Ou seja, além de representar o fim de sistemas agrários ineficazes, a chegada da estrada de ferro também representava a abertura econômica do povoado. Os pioneiros, visando as conexões, concordaram em ceder alguns dos terrenos ocupados e ofereceram seu tempo e esforços à Rede de Viação Paranapanema. Os trilhos do ramal chegaram à região no ano de 1919 e no dia 21 de setembro de 1922 foi inaugurada a Estação Ferroviária de Quatiguá.

Graças à chegada da estrada de ferro, o dia 21 do nove de 22 é mais do que a data de fundação de uma estação de trêm. A data tornou-se também o verdadeiro dia do “nascimento”, ou melhor, do “batismo” da terra, que a partir desse dia, para seus moradores, passou a se chamar: Quatiguá.


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