O coração da cidade de Quatiguá é uma praça: Praça Expedicionário Eurides Fernandes do Nascimento. O nome foi dado em homenagem ao pracinha quatiguaense que lutou, venceu e morreu na Itália, onde seu corpo foi enterrado no cemitério da FEB em Pistóia. No entanto, a morte do herói que dá nome à praça ocorreu somente 14 anos após a construção do Obelisco.

A imagem mostra uma placa de granito escuro com nomes gravados em letras douradas, homenageando veteranos paranaenses mortos em combate na Itália durante a Segunda Guerra Mundial; os nomes estão organizados em duas colunas verticais. A placa pode ser visitada no Museu do Expedicionário, em Curitiba/PR.
Na década de 1930, havia duas forças opostas. As leais a Washington Luís, os “Legalistas”, e as forças leais a Getúlio Vargas, os “Rebeldes”. Os Legalistas eram compostos por tropas do Exército Brasileiro e forças públicas de São Paulo, que lutavam a favor da continuidade da República Velha e da posse de Júlio Prestes. Já os Rebeldes eram militares da brigada do Rio Grande do Sul, mineiros descontentes, tenentes tenentistas e civis aliados. Eram contra a “política do café com leite” — rodízio da presidência entre São Paulo e Minas Gerais — mantinham discurso contra a corrupção e a favor da modernização do Estado. O povo paranaense estava dividido. Os pioneiros, por exemplo, eram paulistas e mineiros que ocuparam o Norte Paranaense buscando autonomia agrícola no plantio do café, e portanto, alguns defendiam que o Paraná estava sendo “sufocado” pela política da Velha República.
A chegada da estrada de ferro possibilitou, em 10 de outubro de 1930, a vitória dos rebeldes em Joaquim Távora. A vitória garantiu-lhes vantagem em Quatiguá, que passaram a ocupar. Na noite de 12 de outubro, os legalistas atacaram com o objetivo de retomar Quatiguá e o controle da ferrovia. Em resposta, os rebeldes reagiram, e, ainda antes do Sol raiar, tropas gaúchas de reforço haviam chegado. O confronto foi muito violento, com tiroteios próximos à estação e arredores que ressoaram por toda a cidade. Alguns moradores participaram; os que puderam fugiram para os vilarejos vizinhos. No dia 13 de outubro de 1930, os rebeldes contra-atacaram com toda a força e coordenação que tinham. Os paulistas, sem cavalaria suficiente, recuaram, explodindo pontes e queimando embarcações para atrasar a perseguição gaúcha.

A imagem sem cores mostra três combatentes da Revolução de 1930 no Paraná, possivelmente em Quatiguá, em uma batalha na mata. Um deles opera uma peça de artilharia, enquanto os outros dois observam atentos, mostrando a tensão e prontidão do confronto. Fotografista desconhecido.
O povo quatiguaense carrega em sua cultura uma forte tradição oral. Vozes mais antigas da comunidade afirmam que os mortos no conflito foram enterrados ali mesmo, onde tombaram. Relatos e registros indicam que o número de paulistas mortos foi maior e que, além disso, por terem vencido e mantido as terras, os gaúchos tiveram a oportunidade de enterrar seus companheiros falecidos em outro local mais adequado, enquanto os paulistas, como perdedores, não tiveram a chance de fazer o mesmo. Ainda assim, os corpos precisavam ser sepultados rápido, ou poderiam ocasionar uma série de doenças. E assim os gaúchos o fizeram, enterrando os cinco ou seis corpos, supostamente paulistas, que haviam sido mortos. Pouco tempo depois, ainda em outubro daquele ano, a população quatiguaense ergueu o Obelisco em homenagem aos guerreiros, sem exaltar lados.
Sepultar os paulistas ali pode ter sido um gesto de necessidade, de segurança pública, pode ter sido um gesto de glória — “Aqui caiu o inimigo” — ou pode também não ter sido. De qualquer forma, o Obelisco existe e é, exatamente como se apresenta: uma “Homenagem do povo de Quatiguá aos heróis tombados em 1930”.


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